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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Impressões róseo-acetinadas



   Colored Emotions é o primeiro CD da banda de rock psicodélico Night Moves, formada em 2009 em Minneapolis, nos Estados Unidos, por John Pelant (vocais e guitarra), Micky Alfano (baixo) e Mark Ritsema (multi-instrumentista). Seu lançamento oficial ocorreu em outubro de 2012. 
   Impregnado por camadas sonoras, vozes distorcidas e melodias lentas que sugerem um acondicionamento espacial, o disco perde-se nos vícios musicais do grupo e suas pretensões vintage. É inevitável lembrar-se de outras bandas de inspiração setentista, como o excelente Tame Impala. O Night Moves, todavia, não aparenta ter acertado o tom. Ao longo de 10 faixas, Colored Emotions revela-se redundante e sem demonstrar ir além do groove. 
   A tímida incursão do trio tem início com “Headlights” , uma boa introdução permeada por sintetizadores, acordes simples e interessantes aplicações de influências country e soul. A segunda faixa, o já divulgado single “Country Queen” não apresenta grandes mudanças e a impressão que se tem é de ouvir variações sobre o tema da primeira. O órgão é quase indispensável nas criações do gênero, o que lhes garante a segurança de trilhar por caminhos já percorridos. 
   Em meio a defeitos de continuidade, a canção emenda na curtíssima “In The Rounds”, que atua como uma frágil ponte até a seguinte, “Only  a Child”, cujo ritmo já  a princípio a distingue das outras, mas não muito. Aliás, a mesma poderia ter sido editada a fim de que a ótima “Family Tongues” – uma das melhores do disco – se sobressaísse. “Old Friends” retorna às já clássicas fórmulas utilizadas. A embaçada “Put Out Your Shoulder” justifica o significado das cores selecionadas para o design da capa (que não tinham como ser mais convenientes), assim como “Horses”. 
   Por outro lado, os efeitos empregados sobre a voz de John Pelant em “Classical Hearts” são uma clara referência ao The Flaming Lips. Pelant já afirmou em entrevista à publicação Relix  o desejo de criar uma banda que fosse como aquela liderada por Wayne Coyne, “só que sem os disparos de confete”, marca registrada dos extravagantes concertos do grupo. 
   O outro single, a agradável e relaxante faixa-título “Colored Emotions” não chega a ser uma surpresa, considerando-se o que já foi escutado, porém também pode ser incluída entre as melhores, uma vez que possui os atributos necessários a um bom hit.  
   O álbum de estreia do Night Moves não é categoricamente ruim, mas seus resultados poderiam ter sido bem mais satisfatórios. Intitular as próprias emoções de coloridas é um dos exageros – coloridas não, no máximo, talvez, róseo-acetinadas.    


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Uma viagem ao deserto



  Django Django, álbum de estreia  do quarteto escocês homônimo de indie rock formado em 2009 pelos músicos David Maclean (bateria), Vincent Neff (vocais e guitarra), Jimmy Dixon (baixo) e Tommy Grace (sintetizador), foi lançado em 30 de janeiro de 2012, e, segundo a revista Rolling Stone, foi um dos melhores trabalhos do ano. A banda pode não ter atingido um reconhecimento internacional imediato, em especial no Brasil, mas parece ser uma das grandes apostas para 2013. 
   O disco começa com "Introduction", faixa instrumental com camadas eletrônicas bem arranjadas e que já adianta parte do que será ouvido a seguir. A peça é prolongada até emendar em "Hail Bop", mantendo batidas semelhantes encadeadas por uma letra que evoca paisagens oníricas, cenários etéreos, esteticamente adequados ao estilo psicodélico. A partir do instante 0:30, evidenciam-se as particularidades com o eletrônico, especificamente com o duo australiano Empire of the Sun. O intrigante design da capa complementa o vínculo da imagem à música: nela, não há quaisquer referências ao nome da banda, ou mesmo do álbum, aspecto que sempre me chamou mais atenção do que a utilização desses dados em capas convencionais. 
   A abundante herança deixada pelas décadas de 1960 e 1970 para o art rock e o rock psicodélico é investida de maneira consciente, além de um toque mágico de Kraftwerk.  Adicionam-se vocais sintetizados de aparência robótica e o resultado é apresentado em "Default" em variações techno. "Firewater", a canção seguinte, por outro lado, tem uma melodia mais simples e próxima ao rock sem que para isso seja necessário o abandono do sintetizador. Dançantes batuques anunciam as experimentações de "Waveforms", até se amaciarem em um refrão um pouco mais lento e deliciosamente eletrônico, fórmula reutilizada em "Zumm Zumm", sexta faixa do disco.
   Além das já citadas, destacam-se "Life's a Beach", e a sedutora "Skies Over Cairo", instrumental que no próprio nome revela a inspiração na música árabe, distorcida por ondas futuristas e vozes harmônicas ao fundo. "Silver Rays", surpreendentemente, denota uma semelhança com os veteranos do The Beach Boys.        
   O álbum permanece coeso durante suas treze faixas ao apresentar uma proposta atemporal de ambientação sonora, totalizando quase 50 minutos de uma viagem lisérgica a um deserto sem fim em um planeta distante, possivelmente em uma galáxia a centenas de anos-luz de distância. E com satisfação - e, por quê não, um retorno? - garantidos.